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Outros nove projetos foram premiados e dez receberam Menção Honrosa. O valor total da premiação é de R$ 360 mil
O programa Grãos de Luz e Griô, que beneficia 760 adolescentes da cidade baiana de Lençóis – município onde 92,4% das famílias possuem renda mensal abaixo de R$ 70,00 - é o Grande Vencedor do Prêmio Itaú-Unicef – Educação & Participação 2003 Desenvolvido pela ONG Associação Grãos de Luz e selecionado entre 1.834 trabalhos sociais, o projeto oferece atividades nas áreas de informática, meio ambiente, artesanato popular e autogestão num contexto social de preservação da memória cultural da região.
Os vencedores do Prêmio Itaú-Unicef foram anunciados ontem (1º/12), em cerimônia realizada em São Paulo. Daniela Mercury, Embaixadora do Unicef no Brasil, e os atores Douglas Silva e Darlan Cunha - mais conhecidos como a dupla Laranjinha e Acerola do seriado Cidade dos Homens – foram os apresentadores da solenidade, que reuniu cerca de 1.300 convidados, entre eles, autoridades, artistas, educadores e empresários.
O segundo e terceiro projetos premiados são: Formação de Agentes de Desenvolvimento Local, do SERTA – Serviço de Tecnologia Alternativa, da cidade Glória do Goitá, em Pernambuco; e o Poty Reñoi, da entidade Programa Kaiowa/Guarani, de Caarapó, no Mato Grosso do Sul.
Dez projetos dividiram o prêmio de R$ 360 mil: o Grande Vencedor recebeu R$ 100 mil, o segundo premiado, R$ 70 mil, e o terceiro, R$ 50 mil. Mais sete instituições foram premiadas com R$ 20 mil cada. Dez menções honrosas foram atribuídas. Na ocasião, o projeto Barracões Culturais da Cidadania, da Associação Barracões Culturais da Cidadania, de Itapecerica da Serra, São Paulo, recebeu o Prêmio Especial São Paulo, no valor de R$ 30 mil, outorgado pela Fundação Itaú Social. À organização Cidade Escola Aprendiz, de São Paulo/SP, foi concedido um destaque pela relevância e caráter inovador dos projetos que desenvolve.
Instituído em 1995 e realizado a cada dois anos pela Fundação Itaú Social e pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef), o Prêmio Itaú-Unicef é coordenado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
“O número de participantes superou todas as nossas expectativas. Mas o aspecto de maior destaque é que, além de quantitativo, o avanço foi também qualitativo. A cada nova edição do Prêmio, melhora a qualidade dos trabalhos apresentados por ONGs de diferentes regiões brasileiras”, afirma Antonio Matias, vice-presidente de programas sociais da Fundação Itaú Social. Segundo ele, a grande novidade este ano foi “a regionalização do processo de seleção, que valorizou as características peculiares de cada projeto, considerando as diversas realidades locais”.
O município de Lençóis tem nove mil habitantes e localiza-se na Chapada Diamantina, a 410 km da cidade de Salvador, capital da Bahia. O perfil sócioeconômico da população da zona urbana mostra que 92% dos moradores têm raízes afro-indígenas; 92,4% das famílias possuem renda mensal abaixo de R$ 70,00, e em sua maioria são sustentadas por “mães lavadeiras” ou avós aposentadas. Além disso, 77,4% das casas possuem taxa de ocupação superior a quatro pessoas por quarto.
Neste cenário, nasceu a Associação Grãos de Luz, inicialmente com uma função filantrópica: distribuir alimentos para crianças de famílias de baixa renda de Lençóis. Com o apoio de entidades locais e equipes pedagógicas, as ações assistencialistas transformaram-se em oficinas educativas para crianças e adolescentes. Em 2000, a associação criou o projeto Grãos de Luz e Griô, com o objetivo principal de ampliar as atividades nas oficinas. Entre as propostas de trabalho, seus integrantes oferecem educação de qualidade afetiva, cultural e ecológica, promovendo ainda a formação de uma rede de trabalho local, para garantir a preservação da arte e da cultura locais, esquecidas pela comunidade.
Atividades nas áreas de informática, meio ambiente, artesanato popular e autogestão, oferecidas aos 760 integrantes do projeto, são desenvolvidas por meio de ‘oficinas’ de arte, brincadeiras e atividades de educação ambiental; além de ‘ciclos’ de comunicação para a comunidade e região.
Um dos destaques do projeto é a caracterização de um dos educadores como o Velho Griô - figura lendária inspirada na tradição oral das raízes afro-indígenas da região -, que canta e conta histórias da cultura do município. “Velho” porque é o símbolo da sabedoria da vida e “Griô”, em homenagem a esse personagem africano. Ele aparece de surpresa em cada comunidade e nas escolas, reverenciando os velhos, brincando de roda com as crianças e envolvendo mães, pais, educadores e merendeiras. Seu papel social é pesquisar e proteger a memória cultural da região.
Além disso, os participantes do Grãos de Luz e Griô realizam pesquisas junto à comunidade que, depois, se tornam conteúdo dos espetáculos do Velho Griô, de peças teatrais, projetos pedagógicos e calendários de atividades. Fazem parte do projeto, ainda, prêmios, exposições abertas à comunidade e divulgação dos resultados dos trabalhos junto às escolas e população local.
O Serviço de Tecnologia Alternativa - SERTA foi fundado em 1989 por um grupo de agricultores, técnicos e educadores pernambucanos, com o objetivo de capacitar produtores rurais na utilização de novas técnicas de agricultura familiar orgânica, considerando e preservando as características da região. No mesmo ano, o SERTA criou o projeto Formação de Agentes do Desenvolvimento Local, voltado para a microrregião da Bacia do Goitá, a 60 km de Recife, que abrange os municípios de Feira Nova, Lagoa de Itaenga, Glória do Goitá e Pombos, situados entre a zona da Mata e o agreste pernambucano.
Trata-se de região rural com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), marcada pela estagnação econômica e pelo empobrecimento da população dos quatro municípios, que somam 80 mil habitantes. O projeto atua com a perspectiva de, em quatro anos, formar uma geração de adolescentes motivada e competente para interferir no desenvolvimento local sustentável do Nordeste, ampliando o capital humano, produtivo e social da região. Agricultura familiar orgânica, arte, cultura, comunicação, informática, educação rural, e direito e cidadania orientam as ações junto aos 107 jovens de 16 a 18 anos atendidos pelo projeto. A formação está dividida em dois níveis: básica e avançada.
Na formação básica, os jovens, organizados por municípios, participam de estudos de meio, a partir de uma metodologia chamada de PEADS - Proposta Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável. Eles realizam pesquisas da realidade da comunidade e debatem seus resultados. A partir daí, os adolescentes se colocam como agentes de desenvolvimento das ações propostas, avaliando constantemente o processo de trabalho.
Na avançada, os adolescentes se organizam em núcleos intermunicipais e participam de oficinas e cursos voltados para o desenvolvimento pessoal e social. Além disso, atuam como monitores de programas de agricultura orgânica e de produtores rurais, interferindo no campo social, criando e integrando conselhos tutelares e de direitos da criança e do adolescente. Junto às escolas rurais dinamizam a implantação da PEADS, a exemplo das hortas escolares orgânicas.
“O aprendizado não está confinado em uma sala de aula, mas como a própria cultura Kaiowá/Guarani nos ensina: aprende-se fazendo, no plantio, na dança, na caça, nos rituais.” Essa é a filosofia do projeto Poty Reñoi, que surgiu em 2001 por iniciativa da ONG Kaiowá/Guarani, localizada na Aldeia Caarapó, no município de mesmo nome, situado a 269 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Na aldeia, que possui uma área de 3,6 mil hectares, vivem aproximadamente 660 famílias.
O projeto visa contribuir para ampliar o processo educativo de adolescentes indígenas, entre 12 e 18 anos, que têm dificuldades para freqüentar a escola, pois precisam trabalhar para ajudar no sustento da família. Articulados com as escolas da comunidade, localizadas nas áreas indígenas, os integrantes do Poty Reñoi oferecem bolsas de estudo e ensinam os alunos a desenvolver pesquisas, envolvendo a comunidade, sobre as práticas e cultura Kaiowá e Guarani. Além disso, eles aprendem a confeccionar peças artesanais, praticar esportes, realizar atividades agrícolas para produção e beneficiamento de alimentos, e criar pequenos animais.
Todo trabalho é orientado por pelo menos um professor índio e, nas atividades agrícolas, por um técnico, além de contar com a supervisão da equipe do Kaiowá/Guarani. Os pesquisadores do programa pretendem, assim, adequar as práticas tradicionais dos índios às tecnologias alternativas agrícolas e ambientais, contribuindo para a formulação e implementação de políticas públicas mais próximas do universo cultural indígena.
Com 80 alunos, o projeto tem obtido melhoria na alimentação da comunidade e colaborado para reduzir a evasão escolar. O programa Poty Reñoi tem ajudado, também, para que os jovens encontrem novos caminhos de contribuir para a renda familiar, com a criação e manutenção de hortas e comercialização de alimentos.
A partir da iniciativa de um grupo de educadores e artistas, articulado com a prefeitura local, nasceu, em 1997, a Associação Barracões Culturais da Cidadania. Com o objetivo de incentivar o bom desempenho escolar de crianças e jovens de baixa renda da região de Itapecerica da Serra/SP, a associação criou, no mesmo ano, o projeto Barracões Culturais da Cidadania.
Os altos índices de violência e pobreza, as carências diversas e a ausência de atividades educativas complementares às escolas da região mobilizaram a entidade a instalar 13 espaços (barracões) no município, nos quais 1.531 crianças e jovens entre 7 e 18 anos participam de oficinas de teatro, dança, canto, coral, instrumentos musicais, xilogravura, história social da arte, pintura, reciclagem, bordado, percussão, orquestra e literatura de cordel. Como resultados, há referências à melhoria da auto-estima e à valorização do potencial dos participantes.
As famílias dos integrantes do projeto, que antes se dedicavam somente a atividades domésticas, passaram a freqüentar os Barracões. Com a participação intensa nas atividades culturais ampliou-se o horizonte de interesses e o projeto passou a ser referência nas escolhas de lazer, educação e convivência das famílias.
Centro Cultural Circo de Todo Mundo - Centro Recreação de
Atendimento e Defesa da Criança e do Adolescente - Belo Horizonte/MG
Gente É Pra Brilhar - Núcleo Especial de Atenção à Criança – NEAC - Rio de
Janeiro/RJ
Levantando a Lona - Grupo Cultural Afro Reggae – GCAR - Rio de Janeiro/RJ
Espaço Alternativo do Saber (PEAS) - Irmandade do Divino Espírito Santo (IDES)
- Florianópolis/SC
Dança Movimento para a Vida - Escola de Dança e Integração Social para Criança
e Adolescente – EDISCA - Fortaleza/CE
Projeto Fênix - Associação Fênix para o Desenvolvimento da Educação e Cultura –
FÊNIX - São Paulo/SP
Arte em Movimento - Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
Monica Paião Trevisan – CEDECA - São Paulo/SP
Ciranda dos Meninos de Sinhá - Grupo de Pais dos Educandos do
Centro Integrado de Atendimento ao Menor - Flamengo – GRUPECI - Belo
Horizonte/MG
Pluralidade Cultural e Educação – Vila Esperança - Espaço Cultural Vila
Esperança – ECVE - Cidade de Goiás/GO
Art & Mania Araçá - Centro Cultural Araçá – CCA - São Mateus/ES
Projeto Grael - Instituto Rumo Náutico – IRN - Niterói/RJ
Beija Flor - Obras Sociais da Diocese de Rio Branco - Rio Branco/AC
Centro de Artes Irmã Yolanda Setubal - Associação Nossa Senhora de Nazaré -
Manaus/AM
Circo da Alegria - Associação de Pais e Mestres da Escola Municipal Anita
Garibaldi - Toledo/PR
Programa Tapera das Artes - Associação Menino Jesus de Praga - Aquiraz/CE
Projeto Eremim e a Cultura da Paz - Associação Eremim – Ação Social de Promoção
da Cidadania e Desenvolvimento Humano - Osasco/SP
Projeto Espaço Amigo - Lar Francisco Franco - ”Casa das Meninas” – LFFCDM -
Rancharia/SP
Destaque – Escola na Praça – Cidade Escola Aprendiz – São Paulo/SP
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